segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Joguei tudo na lata e bebi, bebi, bebi...

Na empolgação de uma visita até certo ponto repentina a Montes Claros, descobri meu lado Tom Cruise. Engana-se, é óbvio, aquele condescendente que antecipa que tal descoberta tenha a algo a ver com estética ou mesmo com meu relacionamento com garotas. Não fosse o fato de eu estar vivendo um momento em que me mantenho — por motivos e de formas impublicáveis — intencionalmente distante dos encantos femininos, ainda sim é notório que o Cruise não chega a meus pés (a quem possa interessar: o trecho anterior contém altos índices de ironia).

Quando falo em Tom Cruise — explico — estou me lembrando de um enlatado clássico e breguinha que marcou as tardes das infâncias de muitos de nós: Cocktail. No filme, Cruise é um badalado preparador de drinques — badalação que, a bem da verdade, ele só reverte em pegação desenfreada. Pois eu vivi meu momento Tom Cruise nessa curta viagem (sem a parte “desenfreada”, é bom que se diga, já que, além do que sugiro no primeiro parágrafo deste texto, ainda estava na companhia de apenas quatro cuecas na ocasião), e confesso, sem falsa modéstia: os aprendizados de meu tempo de menor aprendiz, quando fiz, adolescente, cursos de garçom e barman, enfim valeram de alguma coisa. Se nunca trabalhei em tais profissões, ao menos tive o embasamento para criar, no auge de meus 27 anos, não um drinque, mas sim “o” drinque. Aquele que colocaria qualquer Cosmopolitan, Daiquiri, Manhattan ou até mesmo a minha amada Caipirinha no chinelo, de forma a fazer qualquer Ivo Faria, Claude Troisgros ou Rodrigo Fonseca exclamar: “é esse o drinque que quero servir como aperitivo de meus pratos!”.

Aí é que está. Como as coisas quase nunca são simples, você deve ter percebido que eu opto pelo futuro do pretérito, e não pelo do presente, no trecho acima. Isso porque — frustração — temo que nunca mais venha a conseguir repetir a receita. Dela conheço plenamente os ingredientes, mas me falta um detalhe para preparar novamente a bebida: a inspiração para compor tal mistura, algo que só consegui alcançar devido ao nível alcoólico absurdo a que cheguei em Montes Claros — nível ao qual, pelo bem de minha saúde, não pretendo voltar tão cedo. Trocando em miúdos: não tenho nem ideia do quanto do que o drinque leva. Só sei o que leva: vodka preta (verde, na verdade — você também fica meio daltônico quando bebe?), vodka branca, run Montilla, Schweppes Citrus, refrigerante H2O sabor limão, energético e gelo. Tudo jogado — nem batido nem mexido — e preparado em uma lata de Skol 473 ml aberta com uma faca (isso é dispensável, claro).

Sei, apenas, que é menos vodka preta do que vodka branca, pois como a preta era muito cara, eu fiquei com mixaria. Lembro também que tinha muito energético e pouco Citrus (contenção necessária: havia uma lata de 473 mililitros de energético e apenas um restinho de Schweppes velho na geladeira). H2O, Montilla e Orloff, havia bastante... gelo era pouco, mas roubei algumas pedras dos copos de Cuba da galera (tem coisa mais chinfrim que Cuba Libre? A mi no me gusta, y a ti tampoco, creo...), então não sei direito. Acho que, para repetir a façanha, só mesmo seguindo na base da tentativa-e-erro. Alguém aí anima de ser minha cobaia? Penso que, se por um lado o voluntário pode sofrer ao ter que experimentar misturas não tão bem balanceadas, por outro lado ele será o primeiro a provar, junto a mim, o néctar original quando eu finalmente recuperar minha criação...

Bem, o convite está feito. Os Engov de antes eu garanto. O voluntário se arranja com os de depois.

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