sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Temos que arranjar outros animais dos quais falar

Tenho umas coisas para falar sobre a Influenza H1N1, mas este é um blogue de literatura. E aí? Será que dá para unir prosa e gripe em um texto só, assim como fez com gripe e poesia o Nassif em seu blogue? Sei lá. E, em face do calor infernal que hoje acomete Belo Horizonte e do fato de hoje ser sexta (minha preguiça se acentua considerável e inexplicavelmente nas sextas), creio que não. Mas cabe tentar, pois a paradeza do dia é a oportunidade perfeita para eu atualizar esse lugar, já por demais abandonado, mesmo que seja com um insucesso.

De início, rememoro o texto que escrevi, em julho, sobre a gripe. Na época, fiz coro com o time dos que criticam a cobertura alarmista que a mídia vem fazendo da doença — assim como rotineiramente faz de qualquer outro assunto passível de ser alardeado e capitalizado. Pois bem. Continuo com o coro, e reitero o artigo de Luiz Antonio Magalhães, Editor Executivo do Observatório da Imprensa, que exemplifica, com uma matéria da Folha, o equívoco que é a cobertura que a mídia faz do caso.

Acho legal também citar o site da OMS, onde um texto do dia 28 de agosto detalha, em má tradução minha, que “o intenso controle do vírus, realizado por uma rede de laboratórios da OMS, mostra que em todos os lugares o vírus se mantém praticamente idêntico. Os estudos realizados não têm detectado nenhum indício de que o vírus tenha mudado para uma versão mais virulenta e letal”. Ou seja: para a frustração dos pauteiros, é provável que a tendência descendente dos índices de contaminação continue no mesmo caminho.

Para finalizar, entro no mérito do futebol, já desistido de fazer (boa) literatura aqui. Vou de piadinha que é melhor. Vocês conhecem a nova do porco no ponto mais alto de uma árvore? Você olha para a cena e pensa: “mas o que esse porco está fazendo no topo dessa árvore?”. Em seguida, avança: “Mas como é que esse porco foi parar lá em cima?”. E, por fim, decreta: “Ah, mas uma coisa é certa: uma hora ele cai dali”. Na versão original (se é que existe versão original para domínio público), o porco era uma vaca-galo. Mas eu, como bom e habitualmente cético atleticano (sabedor de que vacas-galo não existem), mudei o personagem principal. Contudo, apesar de todo o meu esforço criativo, tudo indica que esse porco, especificamente – ao contrário do da gripe –, tem asas, no mais louco realismo fantástico, e já está voando copa acima na literatura futebolística. Para a tristeza dos – eu honrosamente incluído – milhares de atleticanos que, no primeiro semestre deste ano, tiveram a ousadia de se permitir acreditar na fantasia.

1 Comment:

Vanessa Reis said...

Ouvi dizer que o Galo é que nem refrigerante 2 litros. Quando tá na metade termina o gás. :P